D. Jorge Ortiga: “O meu episcopado pode ser classificado pela proximidade das pessoas”

 


Foi hoje publicada no Diário do Minho uma entrevista a D. Jorge Ortiga, Administrador Apostólico da Arquidiocese de Braga, que aborda os 34 anos de episcopado. D. Jorge Ortiga começou por dizer que, apesar de a nomeação como Bispo há mais de três décadas ter sido inesperada, foi acolhida com alegria.

“Tenho que confessar que encontrei a minha força e a minha coragem no lema de vida que escolhi. Eu escolhi para lema do meu episcopado "Que todos Sejam Um", isto é, que o trabalho não é meu, tem de ser de todos; é um trabalho em que cada um faz a sua parte, e, ao fazer a sua parte, nos integramos na unidade e na comunhão”, explicou aos jornalistas Francisco de Assis e José Carlos Ferreira, que conduziram a entrevista.

O Administrador Apostólico defendeu um trabalho de “continuidade” a partir da Arquidiocese no tempo de D. Eurico Dias Nogueira e explicou que a tónica social característica do seu episcopado começou bem cedo, no seu primeiro ano de vida pastoral em S. Victor. 

“Hoje a cidade de Braga é uma coisa, naquele tempo, a cidade de Braga era outra completamente diferente, com ruas onde viviam multidões de pessoas, com problemas familiares muito graves. Tínhamos algumas ruas que eram efetivamente muito problemáticas”, lembrou.

D. Jorge Ortiga recordou a iniciativa do Monsenhor José Augusto Ferreira da Silva, que na altura providenciava “a sopa ao meio dia” e também se “preocupava com ocupação dos tempos livres, com filmes organizados aos sábados e domingos quase gratuitos”.

À época, o Administrador Apostólico considerava-se também Capelão do Albergue, uma instituição para onde eram encaminhadas pessoas em situação de sem-abrigo pela PSP. Quando essas pessoas faleciam, D. Jorge Ortiga celebrava os funerais, muitas vezes apenas na companhia de um funcionário da funerária e um agente da PSP.

“São situações que me marcaram e me chamaram a atenção para esta sociedade desigual, para esta sociedade de Braga que já queria ser grande naquela altura, mas que tinha muitos contrastes, muitas diferenças que hoje ainda continua a ter”, alertou.

Afirmando que a sua primeira preocupação continua a ser com as pessoas que se encontram em solidão e isolamento, D. Jorge Ortiga considera que a Igreja “tem feito a sua parte” para as ajudar, mas ainda pode fazer mais.

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