O primeiro Presidente moçambicano assumiu-se marxista e abraçou Ronald Reagan em plena guerra fria, promoveu nacionalizações e admitiu ser inaceitável o Estado vender agulhas, odiou o “apartheid” e almoçou com ele, assobiava e repreendia camaradas publicamente.

Moçambique assinala esta segunda-feira, 19 de Outubro, o dia da morte de Samora Machel (na foto), primeiro Presidente da República. Samora Machel morreu no dia 19 de Outubro de 1986, quando a aeronave presidencial que o transportava se despenhou, nas colinas de Mbuzini, em território sul-africano, quando regressava de mais uma missão diplomática realizada na cidade zambiana de Mbala. O acidente aéreo, motivado pela desorientação do piloto do Tupolev, ou atentado, como na ocasião, e ainda hoje, o Governo de Moçambique sustenta, à morte do Presidente Samora Machel que provocou comoção no mundo, mas especialmente nos países africanos.

Maputo e Moscovo basearam as suas conclusões na alegada existência de um rádio-farol falso que terá sido colocado na véspera do acidente em Mbuzini pelos serviços de segurança sul-africanos, para desviar o avião do Aeroporto Internacional de Maputo. Por sua vez, os dirigentes sul-africanos da época argumentavam que as conversas mantidas pelos elementos da tripulação gravadas pelas caixas negras reconduzem à existência de falhas dos pilotos. Na altura, Moçambique e o Governo sul-africano, dirigido pelo regime de minoria branca do "apartheid", viviam num ambiente de permanente hostilidade, com Maputo a acusar Pretória de apoiar a guerrilha da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), atualmente o maior partido da oposição moçambicana.


 

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